segunda-feira, dezembro 22, 2014

Entre parêntesis:


 
Ele esperava-a, tateando as teclas do telemóvel, cabisbaixo, escrevia-lhe a mensagem (do encontro).
Ela aproximou-se com um sorriso e com um nome na ponta da língua (o dele).
Sabia-o, conhecia-o (como sempre se conhecem as almas gémeas).
E ele brilhava a partir dali, embevecido nela, deixando sair a palavra toda (inteira), contando-lhe o que tinha sido a sua vida, com pormenores que quase exagerava de sentir.
Ela ouvia-o atenta, mais calada e de luz na alma; bebia, esquecida do mundo lá fora, enquanto aquecia as mãos no chocolate quente e deixava os minutos correr, deixando-se ir, deixando-o ser.
Esquecia as horas, a tradição, queria apenas (agora) andar, querer, sentir, avançar.
E podia; devia, desta vez, devia.


domingo, novembro 30, 2014

Direito Penal do Amor

O fogo transcende-me as veias. Queima por dentro a alma inteira, que afogueada reconhece o erro cometido. Treme de medo, serpenteia e esconde o segredo.
Ah, que incomparável sentir, este que me acolhe agora, neste peito, nestas mãos. Um crime do qual jamais me livrarei. Homicídio negligente do amor já morto outrora, regressa de novo das cinzas negras, cravado na pele e no corpo. Culpada! Qual sentença ditada sem recurso, subjugada aos factos incontornáveis da paixão assolapada e que em tempos a tornara inocente, agora condenada.


terça-feira, novembro 25, 2014

Noite de Verão

 

Crepúsculo, a brisa na pele quente, de Verão estonteante.
E nós os dois, sentados à janela da varanda, emaranhados de abraços e jardins. Fazemos parte da paisagem leve e seca. O perfume da noite leva-nos num ímpeto de fugaz razão. Somos a vida num pano de fundo de estrelas e de céu. Somos o beijo e o cheiro a mar. Somos o mundo e a vontade apaixonada no olhar.
E assim ficamos, a ver a vida a passar, sem tempo e sem jeito.
Lá em baixo, testemunha a cidade sob os nossos pés.


terça-feira, novembro 18, 2014

Eles Não Sabem

Mulher negada sem resposta, sente o mesmo que os familiares dos passageiros do avião desaparecido da Malaysia Airlines que ainda hoje acreditam que eles estão vivos e vão voltar, sendo incapazes de fazer o luto!?

quarta-feira, novembro 12, 2014

Percepções


Lembro-me de mim. Da multidão,
Daquela pressa e de mais uma manhã.
Do burburinho, dos semblantes...
E de ti.
Olhei-te e deixei a minha alma
A subjugar na tua, senti-me pairar no ar.
A mente acordada mas quase adormecida,
Paralisada em nós.
Lembro-me da tua neve pura de pele,
E do azul mar elevado de amar.
E dos pós segundos em que depois te perdi.
Sei agora que a todos os minutos te perdia,
Porque nunca antes tinhas olhado para mim!
Nesse dia, viste-me, percebeste-me,
E eu fui tua nos teus olhos.
E agora?
Agora…
Seremos sempre os dois todos os dias.

6º Campeonato Nacional Poesia

domingo, novembro 09, 2014

Quotidiano!


A manhã submergia de tempo,
Mas ele via-se num corre-corre de tormento,
Seguia com a alma vagarosa, ainda dormente.
Despercebido de tudo, de pensamento mudo.
Vestia-se de olhos fechados e veloz,
Tomava o pequeno-almoço tão voraz,
E seguia…
O trânsito, que lhe toldava o momento,
Que o deixava cego de lamento,
Queixoso…E o relógio devagar marcava o ponto.
Passava um dia igual ao outro e pronto.
Rotina da vida, pouco pensada, mecanizada,
De gestos e palavras descompassada,
No fundo perdida, no fundo cansada.
Via o vaivém de ideias fugirem de si,
Os sonhos caírem no abismo sempre ali,
Presente, constante, indiferente, quase amante.
Que o perseguia para onde fosse, displicente, errante.
Sacudia-o em ínfimos segundos quando dava um grito,
Mas ele seguia-o para sempre neste torpor infinito.


 
6º Campeonato Nacional de Poesia
 

sábado, novembro 08, 2014

Abismo Interior



O dia anterior é vulcão, efervescência divina, turbilhão de emoções que se arrastam, frenesim na pele e nos ossos, que se estende até culminar nesse êxtase que me escorre no corpo todo desse abraço. Sobra calor e alma, que toda ela se enriquece, e o tudo na minha vida. Acalma, engrandece, extingue a tortura da rotina e estremece o coração num peito enrijecido pelo tempo, tece, corrói a dúvida e dá alento ao sonho. É tanto!
O dia seguinte é veludo, almofadado da lembrança, perseverança, temor de saudade e ambivalência que teima em voltar, rotina que regressa ao corpo que pede mais de ti, sem boca.

segunda-feira, julho 21, 2014

 
São dos teus olhos que teimam...tempestade, coragem, com jura. Da pele que subjuga a tristeza, sobre tamanha aventura. Do mar onde sempre te vejo, com distância, com lonjura. Promete o quente braço de ternura, o turbilhão de afecto que me queres... envolve, cria, queima... segura. O sabor do Céu que sinto a cada beijo, sofreguidão tão grande de loucura.

quarta-feira, junho 25, 2014





 
Vacilante, de olhar fugidio e breve, que inquieta. 
De indecisão consentida, numa corrente quase viva que segue e some.
Temo...quero e não sei nada. Não me provoco saber, apenas sentir.

domingo, junho 08, 2014



No dia que saíste do teu lugar (para me abraçar) foi assim...
Um azul ciano pintado no tecto dos meus olhos e nos pés uma nuvem doce de algodão cetim. Conquistada numa seda de braços que me envolviam a pele e o regaço...e estava agora embevecida...no paraíso mais encantador que pude imaginar ali com esse Amor.
E depois...era o calor, o que já sentia e o do teu corpo...e era o teu ombro e esse sorriso de calma e cheio de sabor... e era tudo o mais que me excitava e me levava para longe e ao
mesmo tempo para o lugar onde deveríamos sempre poder estar...o lugar mais bonito do mundo.




sexta-feira, maio 23, 2014




As pessoas....as pessoas escolhem-se umas às outras....com luxúria...com orgulho...e repetem sorridentes que se escolhem. Os amigos foram todos escolhidos "a dedo", pela cor, pelo olhar, pela juventude ou falta dela, ou por este ser assim ou assado, como quem escolhe a fruta no mercado, ou a roupa na loja mais repleta de cabides. Sem haver critério racional que o permita, mas com (contra)regra minuciosa que lhes indica que aquele vale mais que o outro, e que é bom ter na sua colecção de amigos. Que poder é este que lhes é dado?! Que capacidade temos nós, enfim!? Para perdermos a oportunidade de amar quem nos ama, para deixarmos de gostar "de quem nos gosta"....e só porque sim..por capricho... e porque somos esquisitos ao ponto de querermos quem não nos escolheu e de não querermos quem tanto nos quer. Contradições da vida, ou incongruência da mente!? Não seria mais lógico e mais fácil sermos amigos de quem nosso amigo é? Gostarmos de quem gosta de nós? Amarmos quem nos ama?
A partir de hoje, não quero mais saber, não vou mais escolher amigos, ou então...vou deixar que me escolham.






......mesmo depois de tanta rua, ampulheta quase nua, saber-me tão pouco tua........




Os minutos correm depressa demais...descompassados do tempo que vigora cá dentro. Não me perco...não te perco, mas sei que o relógio me esgota e será tarde.

quarta-feira, maio 21, 2014


Enroscada nas tuas pernas.... Foi assim que despertei, quando um raio de luz foi de encontro à parede branca do nosso quarto. E tu dormias, tranquilo...fiquei a ver-te...e nos sentidos do teu respirar, as minhas pulsações junto das tuas...permaneci...nesse calor, a admirar os teus olhos fechados, tentando adivinhar os teus sonhos...passarinhando a tua pele. E tu, despertavas agora...

quarta-feira, maio 14, 2014



Podia saber ao doce fruto ou talvez salgado mar,
mas sabe a poesia e a fado, sabe a saudade esse amar.

domingo, maio 11, 2014



Rua perpendicular
 
Os carros sobem as ruas, embriagados da pressa que faz tremer o
mundo. Vejo-os endomingados ao fundo.
O rio distante, parece alheio a tudo, numa calma que adormece.
Vivem juntos desde sempre e não parece.
A rua e o rio, num amor melhor, lascivo e tão precoce.
Amor veterano que os envaidece.
Sentada no cais das pedras, de esquecimento perdida.
E uma gaivota que passa levada pelo tiro do vento…
O meu barco que foge da estrada, se mete pelo mar adentro.
Maresia destas águas que escorrem numa paixão desmedida.
Somos os dois como eles, de amores de ternura sentida.
Na luz que aos meus olhos dava melhor sabor ao sentimento.
Foste luta, sem ser mágoa, foste o rio sem ter tormento.
Agora percebo essa alma: tolerante, serena, sossegada.
Sou eu a tua rua, que para ti (rio) corre apressada.

6º Campeonato Nacional de Poesia

Sinódico! 
Tu que me não és nada
Que me enleias tão errante
De alma fértil e fechada
Lua Nova ou Minguante.
Guardaste em ti o segredo
Nesse teu ser tão sombrio
Fugiste cansado do medo
Falaste calado, sem brio.
Com que jogo a paixão tece
Tanto calor que entorpece?
Foste perfume, jardim,
Trazido de fora de mim.
Tornaste tudo cinzento
Nesse ápice que quiseste
Acabaste o nosso enredo
Neste desafio que perdeste.
Porque um dia foste tudo…Tu.

6º Campeonato Nacional de Poesia

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Por vezes queremos ser maiores que nós mesmos, ou apenas parecermos...talvez seja a alma a pedir, a exigir-nos mais. E nós tentamos, e lutamos...desmesuradamente, rasgamo-nos de tudo, da nossa pele, dos olhos, braços, da essência do próprio espirito...até ao dia em que realmente o somos,aquele dia em que deixamos no íntimo o "Eu" para sermos o "Outro", visível, belo, fascinante. Mas eis que no mesmo instante em que me vêem em tais branduras, vacilo, talvez de temor, mas falho, falho-te, recuo ao frágil que pode o Ser Humano ser e sou-o sem escrúpulos e desço ao mais cruel que posso ter e, impune, magoo-te e perco-te ou perdes-me tu, ainda não sei.
"Eu" brinco numa ternura infantil, no "Outro" inexistente, este mais altivo, responsável, perfeito aos olhos dos outros. E aos teus?! Primeiramente perfeito, tardiamente atento, apaixonado. E então disseste-me não merecer a tua vida junto da minha por isso, sim, talvez te tenha perdido, deixado ir sem remorsos, inertemente alegre. Definitivamente o "Outro" "Eu" não te ganhou, Amor.
 

sexta-feira, janeiro 10, 2014


Leve!

Deixas-me leve...
Pensativa,
Ou será antes...livre?
Sim, deve ser isso;
livre é que é, solta!
Quase sempre rio
de me ver assim...
a pairar,
a querer,
a voar.
A ter-te aqui...
a pensar em mim...
Presa no meu pensamento.

segunda-feira, janeiro 06, 2014


 
Prende-me!

Deixa-me voar nessas mãos entrelaçadas, nessa pele que dura de macia ternura. Deixa-me senti-las nas minhas, ouvir o que os teus olhos me querem dizer.
Deixa-me esperar-te ao fim do dia, e de ansiedade querer-te mais e mais. Prender-te no nosso abraço de amor e deixar deambular em mim a Paz que me dás, ver-te mexer nesse teu sorriso que num sufoco me dá ar e me dá vida. Deixa-me ter-te só para mim nuns instantes que me permitas tocar esse sentir que faz vibrar o meu corpo todo. Deixa-me estar...assim, só ficar, ou apenas ver-te ser, apenas! Ver-te viver dá-me alento, borboletas na barriga, criança adormecida. Amo-te, então deixa-me tão embevecida de ti, não me deixes nem um minuto de ausência tua, leva-me, transporta-me a todo o teu ser. Eleva-me. Leva-me. Para ondes fores, eu vou. Deixa-me respirar o teu sabor, agradecer o teu sentido, a minha dádiva, qual tesouro da terra renascido. Deixa-me preservar-te no meu calor, neste peito que me sustenta a paixão que tenho de ti, de onde brotam flores e vento. Paraíso perfeito nesse teu momento. Minha ilusão vivida, renascida, apetecida. Prende-me com as amarras de cordel, com as cordas do teu mel, agarra este meu ser que te quer tanto e leva-me! Simplesmente!