Os carros sobem as ruas, embriagados da pressa que faz tremer o
mundo. Vejo-os endomingados ao fundo.
O rio distante, parece alheio a tudo, numa calma que adormece.
Vivem juntos desde sempre e não parece.
A rua e o rio, num amor melhor, lascivo e tão precoce.
Amor veterano que os envaidece.
Sentada no cais das pedras, de esquecimento perdida.
E uma gaivota que passa levada pelo tiro do vento…
O meu barco que foge da estrada, se mete pelo mar adentro.
Maresia destas águas que escorrem numa paixão desmedida.
Somos os dois como eles, de amores de ternura sentida.
Na luz que aos meus olhos dava melhor sabor ao sentimento.
Foste luta, sem ser mágoa, foste o rio sem ter tormento.
Agora percebo essa alma: tolerante, serena, sossegada.
Sou eu a tua rua, que para ti (rio) corre apressada.
6º Campeonato Nacional de Poesia

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