segunda-feira, dezembro 22, 2014

Entre parêntesis:


 
Ele esperava-a, tateando as teclas do telemóvel, cabisbaixo, escrevia-lhe a mensagem (do encontro).
Ela aproximou-se com um sorriso e com um nome na ponta da língua (o dele).
Sabia-o, conhecia-o (como sempre se conhecem as almas gémeas).
E ele brilhava a partir dali, embevecido nela, deixando sair a palavra toda (inteira), contando-lhe o que tinha sido a sua vida, com pormenores que quase exagerava de sentir.
Ela ouvia-o atenta, mais calada e de luz na alma; bebia, esquecida do mundo lá fora, enquanto aquecia as mãos no chocolate quente e deixava os minutos correr, deixando-se ir, deixando-o ser.
Esquecia as horas, a tradição, queria apenas (agora) andar, querer, sentir, avançar.
E podia; devia, desta vez, devia.


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