A manhã submergia de tempo,
Mas ele via-se num corre-corre de tormento,
Seguia com a alma vagarosa, ainda dormente.
Despercebido de tudo, de pensamento mudo.
Vestia-se de olhos fechados e veloz,
Tomava o pequeno-almoço tão voraz,
E seguia…
O trânsito, que lhe toldava o momento,
Que o deixava cego de lamento,
Queixoso…E o relógio devagar marcava o ponto.
Passava um dia igual ao outro e pronto.
Rotina da vida, pouco pensada, mecanizada,
De gestos e palavras descompassada,
No fundo perdida, no fundo cansada.
Via o vaivém de ideias fugirem de si,
Os sonhos caírem no abismo sempre ali,
Presente, constante, indiferente, quase amante.
Que o perseguia para onde fosse, displicente, errante.
Sacudia-o em ínfimos segundos quando dava um grito,
Mas ele seguia-o para sempre neste torpor infinito.

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