O fogo transcende-me as veias. Queima por dentro a alma inteira, que afogueada reconhece o erro cometido. Treme de medo, serpenteia e esconde o segredo.
Ah, que incomparável sentir, este que me acolhe agora, neste peito, nestas mãos. Um crime do qual jamais me livrarei. Homicídio negligente do amor já morto outrora, regressa de novo das cinzas negras, cravado na pele e no corpo. Culpada! Qual sentença ditada sem recurso, subjugada aos factos incontornáveis da paixão assolapada e que em tempos a tornara inocente, agora condenada.
domingo, novembro 30, 2014
terça-feira, novembro 25, 2014
Noite de Verão
Crepúsculo, a brisa na pele quente, de Verão estonteante. E nós os dois, sentados à janela da varanda, emaranhados de abraços e jardins. Fazemos parte da paisagem leve e seca. O perfume da noite leva-nos num ímpeto de fugaz razão. Somos a vida num pano de fundo de estrelas e de céu. Somos o beijo e o cheiro a mar. Somos o mundo e a vontade apaixonada no olhar.
E assim ficamos, a ver a vida a passar, sem tempo e sem jeito.
Lá em baixo, testemunha a cidade sob os nossos pés.
terça-feira, novembro 18, 2014
Eles Não Sabem
Mulher negada sem resposta, sente o mesmo que os familiares dos passageiros do avião desaparecido da Malaysia Airlines que ainda hoje acreditam que eles estão vivos e vão voltar, sendo incapazes de fazer o luto!?
quarta-feira, novembro 12, 2014
Percepções
Lembro-me de mim. Da multidão,
Daquela pressa e de mais uma manhã.
Do burburinho, dos semblantes...
E de ti.
Olhei-te e deixei a minha alma
A subjugar na tua, senti-me pairar no ar.
A mente acordada mas quase adormecida,
Paralisada em nós.
Lembro-me da tua neve pura de pele,
E do azul mar elevado de amar.
E dos pós segundos em que depois te perdi.
Sei agora que a todos os minutos te perdia,
Porque nunca antes tinhas olhado para mim!
Nesse dia, viste-me, percebeste-me,
E eu fui tua nos teus olhos.
E agora?
Agora…
Seremos sempre os dois todos os dias.
6º Campeonato Nacional Poesia
domingo, novembro 09, 2014
Quotidiano!
A manhã submergia de tempo,
Mas ele via-se num corre-corre de tormento,
Seguia com a alma vagarosa, ainda dormente.
Despercebido de tudo, de pensamento mudo.
Vestia-se de olhos fechados e veloz,
Tomava o pequeno-almoço tão voraz,
E seguia…
O trânsito, que lhe toldava o momento,
Que o deixava cego de lamento,
Queixoso…E o relógio devagar marcava o ponto.
Passava um dia igual ao outro e pronto.
Rotina da vida, pouco pensada, mecanizada,
De gestos e palavras descompassada,
No fundo perdida, no fundo cansada.
Via o vaivém de ideias fugirem de si,
Os sonhos caírem no abismo sempre ali,
Presente, constante, indiferente, quase amante.
Que o perseguia para onde fosse, displicente, errante.
Sacudia-o em ínfimos segundos quando dava um grito,
Mas ele seguia-o para sempre neste torpor infinito.
sábado, novembro 08, 2014
Abismo Interior
O dia anterior é vulcão, efervescência divina, turbilhão de emoções que se arrastam, frenesim na pele e nos ossos, que se estende até culminar nesse êxtase que me escorre no corpo todo desse abraço. Sobra calor e alma, que toda ela se enriquece, e o tudo na minha vida. Acalma, engrandece, extingue a tortura da rotina e estremece o coração num peito enrijecido pelo tempo, tece, corrói a dúvida e dá alento ao sonho. É tanto! O dia seguinte é veludo, almofadado da lembrança, perseverança, temor de saudade e ambivalência que teima em voltar, rotina que regressa ao corpo que pede mais de ti, sem boca.
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